"A IA não substituirá as pessoas. Mas as
pessoas que usam IA substituirão as que não usam." Satya Nadella
Durante anos
participei de centenas de reuniões para abertura de vagas. A primeira pergunta
era quase sempre a mesma: "Qual é
o perfil do profissional que precisamos contratar?" Era
uma pergunta natural. Afinal, o papel do recrutamento sempre foi encontrar a
pessoa certa para a vaga certa. Hoje percebo que essa já não é a primeira
discussão. Nas reuniões que realizo com meus clientes, antes mesmo de falarmos
sobre competências, experiência ou remuneração, proponho uma reflexão
diferente: Estamos diante de uma
vaga... ou diante de um processo que precisa ser redesenhado? Só
depois surge a pergunta que começa a transformar o mercado de trabalho: Essa
necessidade será melhor atendida por um colaborador CLT, por um profissional
freelancer ou por um Agente de Inteligência Artificial? Pode
parecer apenas uma mudança na ordem das perguntas. Não é. É uma mudança na
forma de pensar as organizações. Durante décadas, o recrutamento teve como
missão selecionar pessoas. Hoje, ele participa de uma decisão muito mais ampla:
definir qual é o modelo de trabalho mais adequado para gerar valor ao negócio.
Algumas funções continuarão exigindo profissionais comprometidos com a cultura
da empresa, capazes de liderar equipes e preservar o conhecimento
organizacional. Outras poderão ser executadas por especialistas contratados
para projetos específicos. Há ainda atividades repetitivas, baseadas em regras
e processos, que já começam a ser desempenhadas por Agentes de Inteligência Artificial.
Peter Drucker dizia que "a melhor
maneira de prever o futuro é criá-lo."
Talvez nunca essa frase tenha
sido tão atual. O futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia,
mas pela capacidade das empresas de fazer as perguntas certas antes de tomar
decisões. Talvez a maior transformação do recrutamento não esteja na forma de
selecionar candidatos. Esteja em compreender que o processo seletivo começa
antes da seleção. Essa escolha, no entanto, está longe de ser
simples. Um colaborador contratado pelo regime CLT, um profissional freelancer
e um Agente de Inteligência Artificial podem resolver a mesma necessidade por
caminhos completamente diferentes. Cada alternativa possui vantagens,
limitações, custos e impactos distintos sobre a produtividade, a cultura
organizacional e a competitividade da empresa. Mais do que escolher pessoas, os
gestores passam a desenhar modelos de trabalho. E essa decisão pode ser tão
estratégica quanto lançar um novo produto, investir em tecnologia ou abrir um
novo mercado. O recrutamento deixa de ser apenas uma função operacional e passa
a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas decisões do negócio. Talvez a
maior transformação do recrutamento não esteja na forma de selecionar
candidatos. Mas, afinal, existe um modelo superior aos demais? É sobre essa
escolha — e seus impactos na estratégia das empresas — que conversaremos na
próxima semana.
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