O resultado das
eleições deixou uma lição que vai além da política: não basta ter uma mensagem,
uma proposta ou uma história para contar. É preciso compreender quem está do
outro lado, como essa pessoa se informa e o que realmente importa para ela. A
disputa presidencial de 2026 trouxe um exemplo expressivo. Depois de terminar o
primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu
reverter o resultado e venceu o segundo turno, em uma disputa apertada. Entre
os fatores apontados nas análises da campanha esteve a mudança na estratégia de
comunicação, com maior mobilização nas redes sociais e presença nas ruas. Dados
publicados durante a campanha registraram um crescimento expressivo das
interações digitais. Isso não explica sozinho o resultado, mas mostra que a
comunicação ocupou um lugar importante na disputa. [The Washington Post]
E o que isso tem a ver com o mercado de trabalho? Mais do que parece. Quem
trabalha diariamente com recrutamento e seleção sente essas transformações no
pulso. Mudaram as expectativas dos candidatos, a maneira como avaliam uma
oportunidade, a importância atribuída à remuneração, à jornada, à flexibilidade
e ao ambiente de trabalho. Mudou também a forma como procuram emprego e como
escolhem as empresas com as quais desejam construir uma trajetória
profissional. O mundo do trabalho mudou. E não podemos continuar recrutando
como se as expectativas das pessoas fossem as mesmas de dez ou vinte anos
atrás. Ainda assim, algumas organizações insistem em acreditar que basta
divulgar uma vaga, oferecer as condições que sempre ofereceram e aguardar que
os candidatos apareçam. Outras mantêm uma presença digital quase inexistente,
como se sua reputação e sua capacidade de atrair talentos fossem construídas
apenas dentro dos próprios muros. Mas como uma empresa pretende atrair pessoas
se não consegue se comunicar com elas? Como deseja ser escolhida se não se
apresenta? E como pretende reter profissionais se não compreende o que eles
valorizam? Estar nas redes sociais, por si só, não garante resultados. É
necessário ter estratégia, consistência, conteúdo relevante e disposição para
ouvir. Não se trata de copiar campanhas eleitorais, mas de compreender uma
mudança mais ampla: as pessoas estão conectadas, comparam alternativas e formam
percepções antes mesmo de entrar em contato com uma organização. Há,
entretanto, um alento nessa história. Estratégias podem ser revistas. Mensagens
podem ser ajustadas. A comunicação pode melhorar. A mudança de cenário entre os
dois turnos demonstra que movimentos importantes podem acontecer em pouco
tempo, embora não seja possível atribuí-los a uma única iniciativa. Nas
empresas, a lógica não deveria ser diferente. Acompanhar sinais, ouvir
candidatos e colaboradores, rever processos e adaptar a comunicação não são
tarefas acessórias. São parte da estratégia de negócios. No Mercado de Trabalho
2030, talvez uma das maiores vantagens competitivas não seja apenas oferecer
bons empregos, mas compreender o que torna uma organização desejável para quem
ela pretende atrair. O mercado muda. As pessoas mudam. As
expectativas mudam. A pergunta é: nossas organizações estão mudando na mesma
velocidade?
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