RH em Pauta

A Inteligência Artificial não está substituindo o RH. Está obrigando o RH a ser mais humano.

23/06/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br

RH em Pauta

Estava inclinado a escrever um artigo sobre as diferentes gerações que encontramos na Seleção Brasileira durante esta Copa do Mundo. Talvez motivado pela consistente vitória sobre o Haiti e pela expectativa em torno dos próximos jogos. Afinal, assim como acontece nas empresas, o futebol também nos oferece excelentes exemplos de liderança, formação de equipes e gestão de talentos.  Mas, como os dados ainda estão rolando e os próximos jogos certamente trarão novos elementos de análise, decidi adiar esse tema por alguns dias.  O motivo foi outro.  Nas próximas semanas terei a oportunidade de conhecer melhor uma Talent Intelligence Platform e conversar com profissionais que vêm utilizando Inteligência Artificial para transformar processos de recrutamento e seleção. E confesso que essa perspectiva tem me causado certa perplexidade.  Não pela tecnologia em si.  Quem acompanha a evolução do mercado sabe que a Inteligência Artificial já está presente em praticamente todas as áreas da economia. Ela organiza informações, analisa dados, identifica padrões e executa tarefas em uma velocidade impossível para qualquer ser humano.  A minha inquietação é outra.  O que acontecerá com o papel do recrutador quando a tecnologia passar a fazer boa parte daquilo que tradicionalmente consumia seu tempo?  Durante muitos anos, profissionais de RH dedicaram horas à leitura de currículos, triagem de candidatos, agendamentos, entrevistas iniciais e consolidação de informações. Hoje, parte dessas atividades já pode ser executada por algoritmos capazes de processar milhares de dados em poucos segundos.  Diante dessa realidade, muitas pessoas perguntam:  "A Inteligência Artificial vai substituir o RH?"  Talvez essa seja a pergunta errada.  A pergunta correta pode ser:  "O que sobrará para o RH quando a tecnologia assumir as tarefas repetitivas?"  E a resposta me parece surpreendentemente simples.  Sobrarão as pessoas.  Recentemente participei do 20º Congresso Empresarial da ACIPI e uma das experiências mais interessantes do evento foi justamente a utilização da Inteligência Artificial para consolidar conhecimentos e gerar insights. No entanto, o que mais me chamou atenção foi que os principais aprendizados do congresso não foram sobre tecnologia.  Foram sobre humanidade.  Roberto Tranjan destacou a importância da liderança consciente e da capacidade de inspirar pessoas. Sabina Deweik falou sobre antifragilidade e adaptação em tempos de transformação acelerada, reforçando que características como empatia, colaboração e pensamento crítico se tornam ainda mais valiosas. Gustavo Borges lembrou que resultados continuam sendo consequência de disciplina, comprometimento e execução.  Nenhuma dessas competências pode ser totalmente automatizada.  A Inteligência Artificial pode analisar currículos. Pode cruzar informações. Pode sugerir candidatos. Pode até realizar entrevistas iniciais.  Mas continua existindo um momento em que um gestor olha para o recrutador e diz:  "Preciso de alguém tecnicamente competente, mas principalmente alguém em quem eu possa confiar."  E é justamente nesse ponto que a tecnologia encontra seus limites.  Confiança.  Relacionamento.  Propósito.  Cultura.  Liderança.  Talvez o futuro do RH não seja menos humano.  Talvez seja mais humano do que nunca.  E, para encerrar, deixo uma provocação inspirada pela Copa do Mundo que estamos acompanhando.  Será que um dia veremos seleções nacionais sendo convocadas por Inteligência Artificial?  Talvez sim.  Ela certamente analisará desempenho, estatísticas, histórico de lesões, condicionamento físico e milhares de variáveis em poucos segundos.  Mas ainda assim restará uma pergunta.  Quem escolherá o capitão?  Quem inspirará o grupo nos momentos difíceis?  Quem transformará talentos individuais em uma equipe vencedora?  Enquanto essas respostas continuarem sendo humanas, acredito que ainda teremos muito trabalho pela frente.  Porque talvez a maior contribuição da Inteligência Artificial não seja substituir pessoas.  Talvez seja nos lembrar daquilo que nos torna verdadeiramente humanos. 

#inteligenciaartificial #copa2026 #recrutamento