RH em Pauta

Quanto mais Inteligência Artificial, mais humanidade

09/06/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br

RH em Pauta

Participei semana passada do 20º Congresso Empresarial da ACIPI. Entre palestras inspiradoras, networking e reflexões sobre negócios, uma experiência chamou minha atenção de forma especial: o uso inédito da Inteligência Artificial para consolidar e sintetizar os principais aprendizados do evento. Confesso que, em um primeiro momento, imaginei que a tecnologia seria a grande protagonista do congresso. Afinal, vivemos um período em que praticamente todas as discussões sobre o futuro passam pela Inteligência Artificial. Mas aconteceu algo curioso. Ao final do evento, a principal conclusão não foi sobre tecnologia. Foi sobre pessoas. As reflexões dos palestrantes seguiram caminhos diferentes, mas convergiram para o mesmo ponto. Roberto Tranjan destacou a importância da liderança consciente, da presença e da capacidade de inspirar pessoas através do exemplo. Sabina Deweik abordou a antifragilidade e a necessidade de adaptação em tempos de transformação acelerada, lembrando que características humanas como empatia, colaboração e pensamento crítico tornam-se ainda mais valiosas. Gustavo Borges reforçou a disciplina, a execução e o compromisso diário como elementos fundamentais para construir resultados extraordinários. Em comum, todos trouxeram uma mensagem poderosa: o futuro continua sendo uma construção humana. Talvez este seja um dos grandes paradoxos do nosso tempo. Quanto mais a tecnologia evolui, mais percebemos o valor das competências que nenhuma máquina consegue reproduzir integralmente. A Inteligência Artificial pode analisar dados em segundos. Pode organizar informações, identificar padrões e acelerar processos. Mas continua sendo incapaz de substituir aquilo que acontece quando um líder inspira sua equipe, quando um profissional demonstra empatia diante de um problema ou quando alguém encontra coragem para tomar uma decisão difícil. Peter Drucker afirmava que "a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo". Em 2026, talvez possamos complementar essa reflexão dizendo que a melhor maneira de criar o futuro é combinar tecnologia com humanidade. Porque a tecnologia, por si só, não cria cultura. Não gera confiança. Não constrói relacionamentos. Não desenvolve propósito. Essas continuam sendo atribuições humanas. E talvez seja justamente por isso que tantas empresas estejam redescobrindo a importância da liderança, da comunicação e do desenvolvimento das pessoas. Não porque a tecnologia tenha falhado. Pelo contrário. Porque ela avançou tanto que nos obrigou a enxergar com mais clareza aquilo que realmente nos diferencia. Durante décadas perguntamos como a tecnologia poderia substituir pessoas. Talvez a pergunta mais importante agora seja outra: Como a tecnologia pode tornar as pessoas melhores? As empresas que responderem essa pergunta primeiro provavelmente terão uma vantagem competitiva difícil de copiar. E, para encerrar, uma reflexão que surgiu durante o congresso: se uma Inteligência Artificial fosse convidada para participar daquele evento, talvez saísse de lá com uma conclusão surpreendente. O futuro não pertence à Inteligência Artificial. O futuro pertence às pessoas que aprenderem a trabalhar com ela. 


#congressoacipi #ia #recursoshumanos