RH em Pauta
Liderança começa quando ninguém está olhando
24/02/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br
Nesta semana, enquanto
adiantava as compras do fim de semana em uma rede de supermercados, presenciei
uma cena que ficou comigo. Era sexta-feira, por volta das 21h. Um líder
acompanhava um colaborador em uma atividade simples, quase invisível aos olhos
apressados: a reposição de produtos. Mas ele não apenas observava. Explicava.
Detalhava. Orientava com paciência. Falava do porquê, não apenas do como.
Tratava uma função aparentemente banal com respeito, atenção e propósito. Não
havia plateia. Não havia urgência aparente. Apenas um líder ensinando — e
alguém aprendendo. Saí dali inspirado. Porque, em meio a tantas discussões
sobre crise de liderança, aquela cena silenciosa dizia muito mais do que
qualquer discurso bem ensaiado. No artigo da semana passada, falamos sobre como
a crise de liderança no início do século XXI se reflete nas empresas,
impactando diretamente a retenção de talentos, o engajamento e a disposição das
pessoas em assumir responsabilidades maiores. O que vi naquele supermercado foi
o oposto da crise — foi a essência da liderança em ação. Peter Drucker já
afirmava que “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”. E criar o futuro,
no contexto das organizações, passa necessariamente por desenvolver pessoas —
mesmo (e talvez principalmente) nas atividades mais simples do dia a dia.
Liderar é formar, não apenas cobrar. Da mesma forma, Simon Sinek reforça que
líderes de verdade são aqueles que fazem as pessoas se sentirem seguras para
aprender, errar e evoluir. Segurança psicológica não nasce em reuniões
estratégicas; ela se constrói nesses momentos cotidianos, quando alguém escolhe
ensinar em vez de apenas exigir. É justamente aí que a liderança impacta
diretamente a retenção de talentos. Pessoas permanecem onde aprendem. Onde
sentem que alguém se importa com seu desenvolvimento. Onde percebem que seu
trabalho — por mais simples que pareça — tem valor. Talvez a pergunta não seja
por que bons profissionais evitam cargos de liderança, mas que tipo de
liderança eles estão vendo como exemplo. Se liderar for apenas pressionar,
controlar e apagar incêndios, poucos desejarão esse papel. Mas se liderar for
ensinar, orientar e construir, o cenário muda. Nos próximos artigos, vamos
aprofundar essa conversa. Vamos falar sobre o impacto direto da liderança na
retenção de talentos, sobre por que bons profissionais evitam cargos de
liderança e sobre o papel estratégico do RH na formação de líderes preparados
para o mundo atual. Por ora, fica a reflexão — e talvez um convite simples: Se
você quiser saber como anda a liderança na sua empresa, não olhe para os
discursos. Observe o que acontece numa sexta-feira à noite, quando ninguém está
tentando parecer líder. É ali que a verdade costuma aparecer. E, convenhamos…
se liderança fosse só cargo, aquele repositor não teria aprendido nada novo
naquela noite.