RH em Pauta
Coragem ou fuga disfarçada? O risco das decisões em tempos de incerteza
07/04/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br
Na semana passada, falamos sobre como o medo pode paralisar
empresas e profissionais em cenários de incerteza. Também refletimos sobre a
importância da coragem — não como ausência de medo, mas como a capacidade de
seguir apesar dele. Nesta semana, uma
conversa com um cliente trouxe uma nova camada a essa discussão. Diante dos
desafios de 2026, ele comentou que estava pensando em diversificar suas
atividades. A princípio, uma decisão que parece estratégica. E, de fato,
diversificar pode ser um movimento inteligente — desde que nasça da percepção
de uma oportunidade real, e não apenas da necessidade de aliviar a pressão do
cenário atual. Em momentos de instabilidade, existe uma tendência quase
automática de dispersão. Empresas começam a olhar para novos caminhos sem
necessariamente aprofundar o que já fazem. Profissionais passam a buscar
alternativas sem consolidar suas competências principais. A intenção é
legítima: reduzir risco. Mas o efeito, muitas vezes, é o oposto. Usei com ele
um exemplo que vemos com frequência no recrutamento: candidatos que, diante da
dificuldade de recolocação, passam a se candidatar para qualquer vaga. Sem
critério, sem estratégia, sem conexão com sua trajetória. O resultado? Mais
frustração, menos clareza e uma sensação crescente de inadequação. Empresas
fazem o mesmo — só que com mais impacto. Focar, em tempos difíceis, exige mais
coragem do que diversificar. Porque foco significa aprofundar, ajustar,
melhorar, corrigir rota… e continuar. É mais desconfortável. E justamente por
isso, mais transformador. Isso não significa que diversificar seja um erro.
Pelo contrário. Grandes movimentos de crescimento nascem da capacidade de
enxergar novas oportunidades. Mas há uma diferença sutil — e decisiva — entre
expandir com consciência e mudar de direção por insegurança. Basta observar o
que aconteceu com a Netflix. Em um momento de transformação do mercado, a
empresa percebeu que o futuro não estava mais na entrega física de DVDs, mas no
consumo digital de conteúdo. Não foi um movimento impulsivo — foi uma leitura
clara de comportamento, tecnologia e tendência. A mudança foi planejada,
consistente e alinhada com uma oportunidade real. Por outro lado, há exemplos
de empresas que cresceram justamente por persistirem com excelência no que já
faziam, mesmo em cenários adversos. A Apple, durante períodos de crise no setor
de tecnologia, optou por manter foco em inovação, design e experiência do
usuário, sem se dispersar em múltiplas frentes desconectadas. O resultado foi a
consolidação de um posicionamento sólido e altamente diferenciado. Coragem,
nesse contexto, não é fazer mais coisas. É fazer melhor aquilo que realmente
importa. Talvez a pergunta que empresas e profissionais deveriam se fazer não
seja “o que mais podemos fazer? ”, mas sim: “estamos fazendo bem aquilo que já
nos trouxe até aqui? ” Porque, no fim das contas, nem toda mudança é evolução. E,
convenhamos… mudar de caminho pode até aliviar a ansiedade no curto prazo — mas
é no caminho certo que os resultados
costumam aparecer.