RH em Pauta
A crise de liderança no início do século XXI
17/02/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br
Talvez este seja um bom
momento para falar de liderança. Estamos em pleno feriado, muitos de nós com o
café na mão, tentando desacelerar o corpo enquanto a mente ainda insiste em
trabalhar. E é justamente nesses momentos de pausa que algumas perguntas ganham
mais clareza. Vivemos, no início do
século XXI, uma crise evidente de liderança. Ela se manifesta na política, nas
instituições e, de forma muito concreta, dentro das empresas. Não se trata
apenas de escândalos, decisões equivocadas ou discursos vazios — trata-se de
uma sensação difusa de falta de direção, de escuta e de responsabilidade. Nas organizações, essa crise aparece de
várias formas: ambientes inseguros, alta rotatividade, equipes desengajadas,
profissionais tecnicamente excelentes que pedem demissão não da empresa, mas de
seus líderes. O que antes era exceção tornou-se recorrente. Durante muito tempo, confundimos liderança
com cargo, autoridade ou tempo de casa. Promovemos bons
executores esperando que, automaticamente, se tornassem bons líderes. Mas
liderar nunca foi apenas entregar resultados — sempre foi conduzir pessoas em
cenários complexos, algo que exige maturidade emocional, visão sistêmica e
capacidade de escuta. O resultado dessa
confusão está diante de nós. Profissionais cansados de não serem ouvidos.
Talentos que preferem recuar a assumir posições de liderança. Empresas que investem
em processos, tecnologia e inovação, mas negligenciam quem sustenta tudo isso
no dia a dia. Talvez o ponto central
dessa crise esteja menos na ausência de pessoas dispostas a liderar e mais na
forma como entendemos o que é liderar. Liderança não é controle. Não é
microgestão. Não é status. Liderança é responsabilidade sobre contextos,
relações e decisões que impactam pessoas reais.
E aqui está a provocação que fica para essa pausa de feriado: se vivemos
uma crise de liderança na sociedade, por que seria diferente dentro das
empresas? Nos próximos artigos, vamos
aprofundar essa conversa. Vamos falar sobre o impacto direto da liderança na
retenção de talentos, sobre por que bons profissionais evitam cargos de
liderança e sobre o papel estratégico do RH na formação de líderes preparados para
o mundo atual. Por hoje, fica o convite
à reflexão — e ao descanso. Porque entender a crise é o primeiro passo para
começar a transformá-la.